| O Descrédito das Intituições Portuguesas |
| Por Carlos Santomor | |
| 21-Feb-2010 | |
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Mas para o Zé… o pior é que sente que foi vítima de si próprio, por não ter tido a argúcia de outros tempos, tudo porque a idade pesa e apesar da longevidade significar experiência de vida, não foi capaz de ler para além do que lhe mostraram e acabou por comprar gato por lebre e isso para o Zé, homem honrado, é grave e penalizador, porque lhe toca no mais profundo. Ontem ao fim da tarde, sentados na taberna do Galego, enquanto lá fora chovia torrencialmente e na televisão passavam as imagens da tragédia da Madeira, Zé Camargo, que de amargo nunca teve nada, por ser pessoa jovial e sempre bem disposta, abriu o livro e desabafou. Sente-se enganado pela política e pelos políticos, está preocupado com o rumo que este país está a levar, sente-se desorientado porque de repente, descobre que os senhores do poder, que deveriam ser gente impoluta, séria e honrada, mentem com quantos dentes tem na boca, tentam enganar descaradamente quem neles confiou, encobrem-se criminalmente uns aos outros, planeiam actos escabrosos em corredores secretos, combinam por telefone ataques à liberdade, tropeçam nas suas próprias contradições e compram ou vendem entre si ao desbarato, a sua permanência no poder, protegidos por leis de ocasião, por jogos de engano, à medida dos crimes que cometem. Que país é este onde os exemplos e os casos protagonizados por algumas das maiores figuras do estado, já atingiram vulgaridade arrepiante, sem que os tais, sejam capazes de perceber o descrédito a que chegaram, a triste figura que passam para a opinião pública nacional e internacional? Que país é este onde os políticos depois de desmascarados publicamente, continuam a remontar mentira sobre mentira, a inventar novas mentiras e nem com a evidência a bater-lhes nos olhos, são capazes de fazer um acto de contrição, enfiarem a cabeça num saco e deixá-la por lá a secar? Que país é este em que o engano e a aldrabice, protogonizados por gente situada no topo da hierarquia do estado, já se transformou em coisa tão banal e corriqueira, que os deixa imunes ao julgamento de consciência, incapazes de perceber que passaram a enfileirar a listas de gente duvidosa, pouco merecedora da consideração de um povo? Que país é este em que aqueles que se deveriam pautar por condutas isentas, imbuídos de um espírito que primasse pela honorabilidade, pelo respeito aos princípios da República e bom senso nas decisões, transmitindo os melhores e mais elevados exemplos de idoneidade e fidelidade às instituições que representam, insistem em continuar no poder, depois de serem reiteradamente desmascarados? Zé Camargo é hoje um homem totalmente desanimado e mais grave ainda é que o seu estado de espírito é contagiante, toca a todos, porque todos o sentem e tal como o Zé, são precisamente aqueles que acreditaram e mais confiaram, que são agora os principais precursores da desilusão geral e só tragédias com a dimensão daquela que ontem aconteceu na Madeira, desviam pontualmente as atenções, da verdadeira tragédia que Portugal enfrenta, "O DESCRÉDITO DAS INSTITUIÇÕES PORTUGUESAS", devido às práticas daqueles que as lideram. Carlos Santomor Comentarios |
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| Actualizado em ( 05-Mar-2010 ) |